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31-12-1969 21:00

Vazão das Cataratas do Iguaçu sobe e água passa sobre passarela
A passarela das Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, foi construída com fundações que penetram na rocha para resistir à força da correnteza durante as grandes cheias do Rio Iguaçu.
Nesta quarta-feira (14), a vazão chegou a 15,8 milhões de litros por segundo.
O volume é mais de dez vezes superior à média histórica e a água ultrapassou a altura da passarela. A estrutura, que leva os turistas até um dos principais mirantes das quedas, já enfrentou cheias com vazão de até 46 milhões de litros de água por segundo sem que suas vigas e colunas de concreto fossem levadas pela água. O segredo da resistência está na técnica utilizada na fundação da obra, chamada de estacas-raiz. Vinicius Lorenzi, diretor de engenharia da Fungeo, empresa responsável pela execução das fundações, explica que a resistência está na forma como a estrutura é fixada ao leito do rio. ✅ Siga o g1 Foz do Iguaçu e região no WhatsApp Diferentemente de uma fundação apenas apoiada sobre a superfície, as estacas-raiz são instaladas em perfurações que alcançam e penetram na rocha.
Dentro dessas perfurações, são colocadas armaduras de aço e uma mistura de cimento injetada sob pressão. Vazão das Cataratas do Iguaçu sobe e água passa sobre passarela Reprodução O processo permite que as estacas fiquem presas à rocha, criando uma ligação resistente entre o solo e a estrutura de concreto da passarela. "A estaca-raiz é uma estaca que faz embutimento na rocha e isso faz com que ela absorva grandes esforços.
É um tipo de fundação que nós utilizamos em várias outras obras em Foz do Iguaçu", explicou Lorenzi. Segundo o engenheiro, as fundações precisam resistir a diferentes forças.
Além do peso da passarela e dos turistas, elas suportam a pressão lateral da correnteza, que aumenta durante as cheias. A força da água é um dos principais fatores considerados no projeto.
Embora galhos, troncos e outros objetos possam atingir a passarela, Lorenzi explica que o esforço provocado pelo fluxo do rio é maior do que o impacto desses materiais. Infográfico: veja como é a estrutura da passarela das Cataratas do Iguaçu Artes/g1 Leia também: Alerta: Paraná recebe novo alerta laranja de tempestades com granizo e ventos de até 100 km/h Impressionante: Cataratas do Iguaçu atingem maior vazão do ano, com volume de água quase oito vezes a média Arrastou animais: Rio transborda, alaga propriedade rural e arrasta bezerros após chuva intensa Rio Iguaçu precisou ser desviado durante a construção Passarela das Cataratas durante a construção em 1992 RPC A construção da passarela atual começou em 1992, depois que a estrutura anterior, inaugurada em 1970, foi levada por uma cheia na década de 1980.
A nova passarela foi remontada em 1993. Segundo Márcio Marcon, engenheiro que trabalhou na execução do projeto da passarela, a equipe precisou desviar temporariamente o Rio Iguaçu para impedir que a água chegasse ao local onde seriam instaladas as fundações. Inicialmente, os responsáveis pela obra tentaram fazer o desvio em um ponto próximo às quedas.
No entanto, a estrutura utilizada para conter a água não resistiu à primeira cheia e foi arrastada pela correnteza, junto com equipamentos utilizados pelos trabalhadores. "Durante a execução da obra, foram pelo menos duas enchentes similares a essa.
Em uma delas, a gente perdeu equipamentos, obviamente nunca mais encontramos.
Mas a parte de concreto ficou absolutamente intacta", afirmou. Construção das Cataratas em 1992 RPC Depois do incidente, foi necessário mudar a estratégia.
As equipes fizeram um novo desvio, desta vez a alguns quilômetros das Cataratas, para impedir que a água chegasse ao trecho da construção. Com o leito do rio temporariamente seco, os trabalhadores conseguiram perfurar a rocha e instalar as fundações. Segundo Marcon, o número de trabalhadores na obra variava entre 20 e 30 pessoas. Como a segurança da passarela é monitorada após as cheias A resistência da passarela é monitorada periodicamente por meio de inspeções e equipamentos capazes de identificar movimentações de poucos milímetros na estrutura.
Segundo a Urbia+Cataratas, concessionária responsável pela visitação turística do Parque Nacional do Iguaçu, o monitoramento não identificou deslocamentos nos pilares desde que a empresa passou a realizar as medições. André Franzini, gerente de sustentabilidade da concessionária, explica que pequenos equipamentos chamados prismas são instalados em pontos estratégicos da passarela.
Eles permitem que uma estação de medição topográfica identifique possíveis mudanças na posição dos pilares, mesmo que sejam imperceptíveis a olho nu. Turista visitando a passarela antes da conclusão do mirante da Garganta do Diabo Arquivo Parque Nacional do Iguaçu O procedimento compara a posição atual dos pilares com medições anteriores.
Dessa forma, é possível verificar se a força da correnteza provocou algum deslocamento durante as cheias. "Desde que a gente assumiu, que a gente começou a fazer esse monitoramento, nunca teve nenhuma alteração, nem que seja milimetricamente", afirmou Franzini. Segundo ele, as avaliações são realizadas anualmente, mas podem ocorrer com maior frequência caso seja identificada alguma alteração ou depois de episódios de cheia. Além desse acompanhamento, a reabertura da passarela após uma cheia depende de uma vistoria feita por um engenheiro estrutural, que verifica as condições dos pilares e de outros componentes. O profissional analisa se houve danos, identifica possíveis riscos e emite um laudo técnico sobre as condições da estrutura. A concessionária informou que a passarela só volta a receber visitantes quando a vazão fica abaixo de 8 milhões de litros por segundo e a avaliação técnica confirma que o acesso é seguro. Antes disso, as equipes também precisam recolocar as grades metálicas de proteção, retiradas preventivamente durante as cheias.
A instalação é feita gradualmente, com os profissionais trabalhando em trechos restritos da passarela. Franzini explica que a concessionária também acompanha as condições da bacia do Rio Iguaçu e dos reservatórios das hidrelétricas antes de iniciar a reabertura, para reduzir o risco de uma nova elevação da vazão. Caso as inspeções identifiquem algum problema, a frequência das avaliações pode ser ampliada e a estrutura permanece sob acompanhamento técnico. Por que as grades da passarela são retiradas durante as cheias? Após três anos, grades da passarela das Cataratas do Iguaçu são retiradas Mesmo construída para resistir à força da água, a passarela precisa ser fechada aos turistas quando a vazão do Rio Iguaçu aumenta. Durante as grandes cheias, as grades metálicas de proteção podem ser retiradas preventivamente.
A medida permite que a água passe com menos resistência e evita que galhos e troncos carregados pela correnteza fiquem presos à estrutura. A retirada das grades faz parte de um protocolo de segurança adotado quando há previsão de que a água possa alcançar a passarela. Trabalhadores retiram as grades da passarela nesta terça (13) RPC Em outubro de 2026, as grades foram novamente retiradas depois de três anos, diante da cheia que elevou a vazão das Cataratas a mais de dez vezes a média histórica, de 1,5 milhão de litros por segundo. A retirada das proteções não significa que a estrutura esteja comprometida.
A medida é preventiva e busca reduzir os esforços provocados pela passagem da água. Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias no g1 Paraná .